De onde vem o que eu como: veja 5 pesquisas agropecuárias que mudaram o consumo e a qualidade de vida dos brasileiros

Ter uva o ano todo ou comer castanha de forma segura são alguns dos atos simples do dia a dia gerados por estudo agrícolas. Além disso, a pesquisa ajudou a reduzir o preço da cesta básica, a melhorar produção no semiárido e diminuir impacto ambiental.

A pesquisa agropecuária no Brasil contribuiu para que o país conseguisse produzir mais e melhor ao longo dos anos, através, por exemplo, do melhoramento genético de plantas e animais, sistemas de produção mais eficientes e sustentáveis e de controle de pragas e doenças.

O resultado de muitos estudos está até mesmo em simples atos do dia a dia, como poder comer uma uva em qualquer época do ano, graças à expansão da produção do Sul para o Nordeste do país nos últimos anos. Ou desfrutar de uma castanha de forma segura, sem substâncias tóxicas.

Outras pesquisas também tiveram um impacto significativo na qualidade de vida dos brasileiros: como a redução do preço da cesta básica, a melhoria da produção no semiárido nordestino e a integração da lavoura com a pecuária e a floresta, modelo que gera benefícios ao meio ambiente e aos agricultores.

Para contar essas 5 histórias, o G1 conversou com diversos pesquisadores da Embrapa, que é a maior empresa pública de pesquisa agropecuária do país. No ano passado, a empresa chegou a sofrer cortes em seu orçamento (saiba mais).

1. Uva o ano todo

Já imaginou encontrar uva somente uma vez por ano? Parece difícil de pensar, mas esta já foi uma realidade do Brasil até os anos de 1980, quando a fruta só chegava nas prateleiras dos mercados no final do ano, conta o analista de transferência de tecnologia da Embrapa Uva e Vinho, Rodrigo Monteiro.

Naquela época, o cultivo comercial da uva só existia na região Sul do país, que tem uma colheita no ano que vai da metade de dezembro até o mês de março.

Mas a pesquisa agrícola conseguiu mudar este cenário ao desenvolver novas variedades de uva que se adaptaram bem a outras regiões do país, diversificando os períodos de colheita e expandindo a produção, com destaque para a região do Vale do São Francisco, no semiárido de Pernambuco, onde se colhe uva o ano todo.

Uma nova variedade ou cultivar é uma planta cultivada que, a partir de uma espécie natural, é submetida a um melhoramento genético.

Segundo Monteiro, já foram lançadas 20 cultivares em pouco mais de 40 anos por meio do Programa de Melhoramento Genético Uvas do Brasil, coordenado pela Embrapa.

“Praticamente todas elas estão validadas para cultivo no Brasil inteiro, seja no Sul e Sudeste do país, ou no Nordeste e Centro-Oeste. São uvas voltadas tanto para o processamento de suco e vinho, como uvas de mesa”, diz Monteiro.

Mas o papel da pesquisa não para por aí. Não basta ter uma variedade boa no campo se o agricultor não souber usar as técnicas corretas de cultivo. Para solucionar isso, pesquisadores atuam em parceria com produtores no desenvolvimento do melhor manejo para cada variedade. “Cada cultivar vai exigir um sistema de poda diferente, uma determinada adubação”, exemplifica Monteiro.

Principais polos. O volume produzido de uva no país ainda é liderado pelo Rio Grande do Sul (51%), que tem uma cultura mais voltada para a produção de vinho. Já Pernambuco é o segundo maior polo (26,5%), com foco em uvas de mesas. Do Vale do São Francisco, saem 99% das uvas exportadas pelo Brasil.

Além de novas cultivares, a produção de uma fruta típica de clima temperado como a uva teve sucesso no Vale, um local de clima tropical semiárido, porque na região as videiras conseguem encontrar luz, calor e água (por meio de sistemas de irrigação) para se desenvolverem o ano inteiro.

As videiras também precisam passar por um período chamado de dormência, que é como se fosse uma pausa para elas se recuperarem e conseguirem, mais para a frente, gerarem novos frutos. Isso ocorre sempre durante o frio, época em que as folhas das árvores caem.

Mas, como em Pernambuco não tem inverno, os agricultores induzem a dormência por meio de produtos e redução da irrigação.

2. Castanha segura para consumo humano

Desfrutar de uma castanha-do-brasil nem sempre foi um ato seguro. O alimento conhecido popularmente como castanha-do-pará já representou um risco à saúde humana por conter elevados níveis de aflatoxina, uma substância altamente tóxica e que pode provocar câncer, conta a pesquisadora da Embrapa Acre, Cleísa Brasil.

Esse risco existia pelo modo como a castanha era extraída da floresta amazônica. Mas pesquisas da Embrapa feitas a partir dos anos 2000 conseguiram desenvolver práticas de controle higiênico e sanitário que tornaram o alimento seguro para o consumo humano.

A alta contaminação da castanha por aflatoxina se dá pelo contato prolongado do ouriço (fruto da castanheira) com o solo. O ouriço é parecido com uma bola de madeira e dentro dele há de 15 a 20 castanhas. Veja na imagem:

Em dezembro, esses ouriços começam a cair das árvores castanheiras, mas os extrativistas evitam entrar na floresta devido às fortes chuvas nesse período.

“A castanheira é muito alta e o ouriço é muito pesado. Ele chega a pesar um quilo. Entrar [na floresta] no período de chuva corre o risco do ouriço cair na cabeça e pode até matar”, conta Cleísa.

Mudança. A partir dos anos 2000, os países importadores de castanha começaram a apertar a fiscalização e a União Europeia interrompeu, em 2003, as compras do Brasil, pois os níveis de aflatoxina contidos no alimento nacional eram superiores aos estabelecidos pela legislação do bloco.

A suspensão das importações europeias mobilizou os pesquisadores do Brasil. “Nós fomos então para dentro da floresta e começamos a coletar a castanha em períodos diferentes, com 10 dias, um mês, dois meses, para ver até que ponto o ouriço poderia ficar no solo. Depois a gente fez a mesma coisa com o processo de armazenamento e assim por diante. Dessa forma, fomos definindo as melhores práticas de produção”, relembra Cleísa.

Uma das recomendações atuais, por exemplo, é que o extrativista entre na floresta já em outubro, antes da queda dos ouriços, para tirar do solo os frutos antigos e não misturá-los com os novos.

“No Acre, por exemplo, esse período é na segunda quinzena de janeiro, mas em outras regiões da Amazônia pode ser diferente”, diz Lúcia Wadt, pesquisadora da Embrapa Rondônia.

Recomenda-se ainda que os extrativistas usem capacete, luva, calça, camisa de manga comprida e bota durante a coleta. E que os ouriços sejam quebrados em uma superfície limpa e seca, como lonas e sacos plásticos. Há ainda outras regras para armazenamento, transporte e secagem.

Todas essas orientações fazem parte uma instrução normativa do Ministério da Agricultura do Brasil e são reconhecidas pelo Codex Alimentarius, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Programa Conjunto da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).

Pesquisadores preferem se referir à castanha como castanha-da-amazônia, pois ela é nativa do bioma que está presente ainda em países como o Peru e Bolívia.

3. Redução do custo da cesta básica

Arroz. O pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão, Alcido Elenor Wander, conta, por exemplo, que em 40 anos o Brasil conseguiu aumentar a produção de arroz mesmo com uma redução de área plantada.

Uma das contribuições da pesquisa foi o desenvolvimento de sistemas de irrigação.

“Ao longo dos anos, houve uma diminuição do cultivo de arroz de sequeiro – também conhecido como terras altas – e um aumento da produção em áreas irrigadas, onde o nível de produtividade é muito maior, pois a planta encontra melhores condições para se desenvolver”, diz Wander.

Além disso, novas cultivares passaram a ter um padrão comercial muito mais interessante para o beneficiamento industrial. “Um exemplo é que, dependendo da variedade do grão, a proporção de arroz em casca que vira arroz beneficiado (sem casca) aumenta”, explica.

O Rio Grande do Sul produz 70% do arroz no Brasil e tem um cultivo com sistema irrigado. Outras frentes importantes de pesquisa sobre a cultura são o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) e a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri).

4. Produzir e viver melhor no semiárido

Por falar em irrigação, tecnologias de captação e armazenamento de água estão, aos poucos, conseguindo melhorar a qualidade de vida de quem vive em regiões de clima semiárido, ao garantir que as produções agrícola e pecuária possam ocorrer mesmo em períodos de estiagem na região.

As localidades de clima semiárido compreendem os estados do Ceará, Rio Grande do Norte, a maior parte da Paraíba e Pernambuco, sudeste do Piauí, oeste de Alagoas e Sergipe, região central da Bahia e norte de Minas Gerais.

Segundo a pesquisadora Diana Signor Deon, da Embrapa Semiárido, em Petrolina (PE) uma das tecnologias é a barragem subterrânea, uma técnica que começou a ser intensificada no Nordeste a partir dos anos de 1980.

“É uma tecnologia onde a gente faz uma barragem que não é na superfície. É um barramento por dentro do solo para que, no momento em que chova, a gente consiga evitar o escoamento da água, a perda dessa água. Ela fica represada dentro do solo”, explica Deon.

“Com as barragens subterrâneas, os agricultores conseguem preservar por muito mais tempo a água da chuva para cultivos diversos. Tem produtor que usa para a produção de hortaliças, de frutas, para o consumo da família e também para o cultivo de forrageiras, voltado para garantir a segurança alimentar do rebanho”, conta Deon.

Desenho de uma barragem subterrânea na publicação da Embrapa "Agricultura familiar dependente de chuva no semiárido", de 2019 — Foto: Reprodução/Embrapa

Desenho de uma barragem subterrânea na publicação da Embrapa “Agricultura familiar dependente de chuva no semiárido”, de 2019 — Foto: Reprodução/Embrapa

Um estudo da Embrapa de 2019 chamado “Agricultura familiar dependente de chuva no semiárido” aponta que, em alguns casos, as barragens podem fazer o solo ficar úmido por até 5 meses após a época de chuvas permitindo, assim, a realização dos plantios mesmo em época de estiagem.

“Nos municípios paraibanos de Remígio e Arara, há exemplos de barragens que funcionam o ano todo, proporcionando que os agricultores plantem frutíferas, forrageiras, hortaliças, plantas medicinais e batata-doce”, diz a publicação.

Por outro lado, a pesquisadora ressalta que nem todo território é apto para a construção de barragens. “Tem que ter uma posição adequada de revelo, um solo com profundidade adequada. Por isso até que, recentemente, nós lançamos o zoneamento de barragens subterrâneas para Alagoas [que consegue mapear os territórios aptos]”, afirma Deon.

Outras tecnologias desenvolvidas pela Embrapa para aproveitamento de água são os sistemas de cisternas, de uso de água de poço, açudes, entre outros.

5. Integração Lavoura-Pecuária-Floresta

Gado em pastagem com integração-Lavoura-Pecuária-Floresta. Fazenda Santa Brígida, Ipameri-GO. — Foto: Fabiano Marques Dourado/Embrapa

Gado em pastagem com integração-Lavoura-Pecuária-Floresta. Fazenda Santa Brígida, Ipameri-GO. — Foto: Fabiano Marques Dourado/Embrapa

Talvez o nome Integração Lavoura-Pecuária-Floresta não pareça ter uma relação imediata com a vida de muita gente, especialmente de quem vive em grandes centros urbanos.

Mas a adoção desse modelo tem conseguido aumentar a produtividade das lavouras gerando, ao mesmo tempo, benefícios ao meio ambiente ao integrar, em um mesmo espaço, diversos tipos de culturas agrícolas e criações de animais, diferentemente do que ocorre na monocultura, explica o pesquisador da Embrapa Solo, Renato Rodrigues.

“Para ser chamada de integração lavoura-pecuária, lavoura-floresta ou lavoura-pecuária-floresta a gente precisa ter um efeito de um componente sobre o outro. Por exemplo, quando a gente planta milho e, na sequência, entra a pecuária. A gente deixa os restos da cultura do milho no campo e o animal acaba se alimentando deles”, diz.

“Ou, por exemplo, a sombra da árvore promovendo o bem-estar animal, o que faz com que a produtividade de leite e carne sejam reaproveitadas”, acrescenta Rodrigues, que também é presidente da rede ILPF, uma parceria entre a Embrapa, cinco empresas privadas e uma cooperativa.

Segundo o pesquisador, é um modelo que se aproxima do que acontece na natureza. “Dificilmente a gente vê uma cultura sozinha ou somente uma espécie vivendo em um mesmo espaço”.

Ao longo dos mais de 40 anos de pesquisa sobre a ILPF, verificou-se diversos benefícios do modelo para o meio ambiente e produção.

“A ILPF nasceu muito para recuperar pastagens degradadas principalmente do Cerrado, onde a gente tinha pastagens com baixo nível de produtividade e erosão. E a gente começou a verificar que a integração entre a lavoura e a pecuária aumenta, por exemplo, os teores nutricionais do solo, fazendo com que ele fique mais produtivo, além da redução do risco de erosão”, exemplifica Rodrigues.

Esta forma de produção faz parte, inclusive, dos compromissos assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris, assinado em 2015, que prevê metas de redução de gases de efeito estufa aos países.

O modelo foi incluído no tratado porque a integração de diferentes culturas em um mesmo espaço reduz, por exemplo, o desmatamento de novas áreas para produzir.

Atualmente, o Brasil já possui modelos de ILPF em todos os seus biomas: na Amazônia, no Pantanal, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica e Pampa. E, segundo Rodrigues, o modelo se adapta bem em qualquer tamanho de propriedade.

[EVENTO] As pesquisas e experiências nacionais e internacionais sobre os benefícios das nozes e castanhas

A ABNC – Associação Brasileira de Nozes , Castanhas e Frutas Secas convida para o Webinar que se realizará dia 27 de abril de 2021, às 10h00.

PROGRAMAÇÃO

Abertura

José Eduardo Mendes Camargo – Presidente da ABNC

Palestrantes

Barbara Cardoso: Prêmio Jovem Cientista 2015, na categoria Mestre e Doutora, usando a castanha do Brasil cultivada e orgânica junto a idosos que tinham o comprometimento cognitivo leve)

Dr. Euler Ribreiro: Médico Cardiologista, Pneumologista, Geriatra e Reitor da Fundação Universidade Aberta da 3ª Idade de Manaus/AM

Dra. Ivana Beatrice da Cruz: Diretora de Pesquisa Biogenômica da Universidade de Santa Maria-RS

Moderadora

Silvia Cozzolino: Nutricionista, Professora Titular da Faculdade de Ciências Farmacêuticas/USP. Atua na área de Nutrição e Micronutrientes

INSCREVA-SE:

6 dicas para manter a imunidade durante o distanciamento social

Especialistas listam cuidados importantes e dão e dicas de alimentos para inserir na rotina e “turbinar” o sistema imunológico.
 
A vacina contra a Covid-19 está cada vez mais próxima, mas, enquanto isso, o distanciamento social continua sendo a principal estratégia para evitar a propagação do novo coronavírus. No entanto, a rotina em casa exige o reforço de hábitos mais equilibrados para manter a imunidade alta e ajudar na prevenção de diversas doenças, incluindo do trato respiratório.

O sistema imunológico é a defesa do corpo e combate diretamente os agentes estranhos, em especial os que causam infecções. A manutenção de hábitos saudáveis como a alimentação variada e balanceada, sem grandes restrições e excessos, colabora diretamente com esse sistema de defesa.

Veja, a seguir, seis dicas para manter a imunidade durante a quarentena.

• Elevar o nível de vitamina D
Com a circulação restrita devido ao distanciamento social, naturalmente há menor exposição ao sol, o que contribui para a redução dos níveis de vitamina D no organismo – uma importante aliada para manter a imunidade alta.
Temos a imunidade inata e a adaptativa. A inata é uma resposta natural, rápida, feita por barreiras físicas, químicas e biológicas, mesmo sem contato prévio. Já a resposta adaptativa depende da ativação de células especializadas, os linfócitos. A vitamina D, portanto, estimula o sistema imune inato e modula o sistema adaptativo. Em outras palavras, ela participa do processo de defesa contra diversos agentes infecciosos.
Para elevar o nível de vitamina D no organismo, não deixe de lado a exposição ao sol, por pelo menos 15 minutos por dia, preferencialmente entre 10h e 14h, sem protetor solar. A suplementação pode ser necessária para grupos de risco como idosos, gestantes e pessoas com a pele negra, e deve ser orientada por um médico.

• Apostar na variedade de alimentos
Uma alimentação equilibrada, rica em frutas, legumes e verduras é essencial para reforçar a defesa do corpo no combate de doenças. Frutas como goiaba, acerola, limão e laranja são alimentos ricos em vitamina C, com ação antioxidante e melhora a resistência do sistema imune.
Além disso, o consumo de alimentos ricos em nutrientes como vitaminas A, C e D, os minerais zinco, selênio, ferro e uma gordura saudável como ômega 3 estão entre os principais fortalecedores do sistema imunológico. Entre os exemplos estão: limão, laranja, abacaxi, kiwi, brócolis, couve, espinafre, feijão, beterraba, grão de bico, aveia, amêndoas e castanhas. E como fonte de ômega 3 os peixes gordurosos de água fria como salmão, atum, sardinha.
– Vegetais verdes escuros: brócolis, couve, espinafre são ricos em ácido fólico e auxiliam na defesa do organismo, podendo ser encontrado no feijão, cogumelos (como o shimeji e o shiitake) e carne de fígado.
– Alimentos ricos em zinco: encontrado na carne, cereais integrais, castanhas, sementes e leguminosas (feijão, lentilha, ervilha, grão de bico).
– Oleaginosas: além de zinco, as nozes, castanhas e amêndoas também são ricas em vitamina E e selênio, sendo benéficas principalmente para os idosos, que têm diminuição da atividade imunológica por causa da idade.

• Beber mais água e líquidos saudáveis
A hidratação adequada desempenha papel fundamental na regulação da temperatura corporal, transporte de nutrientes e na eliminação de substâncias tóxicas. Ao longo do dia, alterne o consumo de água com suco de frutas, água de coco, bebidas reidratantes e chás. Assim não há necessidade de contar somente com os copos de água para garantir a hidratação.

• Combater o estresse
Diante de uma situação estressante, o corpo libera cortisol, conhecido como “hormônio do estresse” que, em níveis normais, é responsável por reduzir inflamações e manter a pressão arterial em níveis adequados. No entanto, quando o corpo fica em estado de alerta constante, a produção exagerada de cortisol desequilibra o sistema imunológico.
Para combater o estresse é preciso investir em momentos de relaxamento e atividades prazerosas, a fim de aliviar um pouco as emoções causadas pelo momento, como medo e ansiedade. Manter contato com familiares e amigos, mesmo que remoto, também é benéfico e ajuda a distrair e relaxar.

• Não abrir mão de boas noites de sono
Com a quarentena, estabelecer uma rotina pode ser um desafio maior. A privação do sono gera um grande estresse ao organismo e resulta em sobrecarga física e emocional. Segundo a National Sleep Foundation, a orientação para adultos é dormir de 7 a 9 horas por dia. Faça refeições leves, reduza as atividades noturnas, procure relaxar e esquecer os problemas. Para dormir mais rápido e melhor deixe o quarto bem arejado, sem luminosidade e barulho.

• Encaixar a prática de atividade física na rotina
Mexa-se! A prática regular de exercícios físicos traz inúmeros benefícios à saúde e está diretamente relacionada à qualidade de vida. Durante as atividades, a endorfina é liberada – hormônio que aumenta a disposição e melhora a resistência imunológica.

Fonte
Dr. Odair Albano – Médico. Consultor em Saúde
Dra. Rosana Perin – Nutricionista. Gerente de Nutrição do HCor. 

Ômega 3: Para que serve e quais são seus benefícios

Ômega 3 é uma gordura essencial, pois o nosso organismo não produz em quantidade suficiente, sendo necessário o consumo através da alimentação ou suplementação.

O ômega 3, ou também conhecido como “gordura do bem”, é um ácido graxo poli-insaturado que ao ser consumido na quantidade recomendada pode trazer diversos benefícios para o organismo, principalmente relacionados a saúde cardiovascular.
Trata-se de uma gordura essencial, pois o nosso organismo não consegue produzir em quantidade suficiente, sendo necessário o consumo exógeno, ou seja, através da alimentação ou da suplementação. Existem 2 tipos de gorduras, as insaturadas (1 ou mais ligações duplas entre dois átomos de carbono na sua composição química) e as saturadas (não há ligação dupla entre dois átomos de carbono). Entre os insaturados existe os monoinsaturados (1 dupla ligação) e os poli-insaturados (2 ou mais duplas ligações, que é o caso do ômega 3).

Existem 3  tipos de ômega 3: eicosapentaenoico (EPA) e ácido graxo docosahexaenoice (DHA), que tem origem marinha, e alfa-linolênico (ALA) com origem vegetal.

Os benefícios do ômega 3 estão relacionados principalmente ao EPA e ao DHA, porém o ALA pode se transformar neles, apresentando também efeito benéfico.

Composição química
A primeira dupla ligação no ômega 3 está presente entre o carbono 3-4, dando assim origem ao nome.

Benefícios do ÔMEGA 3
São precursores de eicosanoides e outros mediadores anti- inflamatórios, apresentando possíveis benefícios para doenças relacionadas à inflamação, principalmente as cardiovasculares.

Saúde cardiovascular
As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo, sendo cerca de 31% em 2015, conforme OPAS Brasil/OMS. A maioria dessas doenças pode ser prevenida por meio de parar de fumar, redução do peso em indivíduos obesos, atividade física, redução do consumo de álcool e dietas saudáveis (inclusive o consumo de ômega 3).
O ômega 3 regula a atividade das plaquetas sanguíneas, responsável pela coagulação sanguínea (efeito antitrombótico), evitando a formação de coágulos que podem levar a um AVC (Acidente Vascular Cerebral) ou infarto.

Alguns estudos indicam que a suplementação com 2-4 g de EPA/DHA ao dia pode diminuir os níveis de triglicérides (TG) em até 25-30% e aumentar de HDL (colesterol bom), sendo um coadjuvante no tratamento para indivíduos com descontrole nos valores de TG e colesterol.

Além disso, pode também reduzir a pressão arterial, podendo auxiliar na diminuição da dosagem dos medicamentos para hipertensão. Acontece porque o ômega 3 ajuda a evitar a formação de placas de gordura nas paredes dos vasos (ajuda a controlar os níveis de TG e colesterol) e flexibilidade das veias e artérias.

Diabetes mellitus
Ainda não existe um consenso entre o consumo de ômega 3 e diabetes mellitus, houve estudos que mostraram que o maior consumo de ômega 3 pode estar associado a maior risco do desenvolvimento de diabetes. Mas na maior dos estudos mostrou que concentrações de EPA/DHA maiores no sangue podem estar associadas a menor risco de diabetes.

Obesidade
A obesidade é uma doença crônica multifatorial caracterizada pelo excesso de gordura corporal que normalmente está associada com outras doenças crônicas, como a diabetes e doenças cardiovasculares.
É também reconhecida como uma condição inflamatória crônica de baixo grau, devido à principalmente no tecido adiposo de indivíduos obesos ocorrer aumento da capacidade de síntese de moléculas com ação pró-inflamatória, conhecidas como adipocitocinas, como por exemplo: enzima óxido nítrico sintase induzível (iNOS), proteína C reativa, TNF-α, interleucina-6 (IL-6), leptina, entre outros.
Devido a ação anti-inflamatória do ômega 3 pode auxiliar no combate da obesidade, principalmente na prevenção de complicações decorrentes da obesidade e da inflamação crônica.

Visão
A destruição natural da mácula, parte da retina que é responsável pela visão central (visão de detalhes), pode ser prevenida pelo ômega 3. Essa destruição pode causar diminuição ou distorção da visão, que pode ser gerada pela idade ou diabetes mellitus.

Cérebro
Age na formação da bainha de mielina, um componente dos neurônios, ajudando na comunicação entre as células do cérebro e por ter efeito vasodilatador aumenta a quantidade de oxigênio e nutrientes. Podendo assim diminuir o risco de demência no envelhecimento.

Depressão
O ômega 3 pode ajudar a aumentar a produção de neurotransmissores, como a serotonina, dopamina e noradrenalina, que estão associados ao bem-estar, podendo assim diminuir os riscos de depressão, principalmente no pós-parto.

Gestação e infância
É importante o consumo de ômega 3 durante a gestação porque permite gestações mais longas, diminui a resistência à insulina, risco de diabetes gestacional e também de depressão pós-parto.

A cada 10 bebês nascidos 1 é prematuro, e cerca de 1 milhão morrem devido a complicações da prematuridade, por isso, ajudar a ter gestações mais longas, ou seja, até o período correto para o nascimento, é de extrema importância para a saúde da criança. Estudos indicam que a suplementação do DHA de 600 mg/dia aumenta em 2,87 dias o período gestacional e o peso do recém-nascido em 172 gramas, pode parecer pouco, mas para o bebê antes do nascimento qualquer dia ou peso a mais pode estar associado a sua sobrevida.

Já para o bebê ajuda na melhora da acuidade visual, percepção de cores, possibilidade de aumento do coeficiente de inteligência, aprendizagem e de memorização, e também pode diminuir incidência de déficit de atenção.

Os níveis de DHA no leite materno explicam mais de 20% na variância de rendimento em uma prova cognitiva, porém sua concentração é influenciada pelo consumo de fontes de ômega 3 pela mãe, mostrando a importância do consumo alimentar das mães durante a amamentação.  

Emagrece? Engorda?
O ômega 3 por si só não tem efeito de emagrecer, porém aliado a uma alimentação saudável e atividade física regular pode trazer benefícios para a saúde do organismo e ajudar no emagrecimento. Isso acontece devido ao efeito anti-inflamatório do ômega 3.
Apesar de se tratar de uma gordura em quantidades dentro do recomendado a suplementação não está associada ao aumento de peso.

Fontes alimentares
As principais fontes de ômega 3 ALA são óleos vegetais (soja, canola, linhaça), nozes, sementes de chia e linhaça. E do DHA e EPA são os peixes de água fria (pescados, atum, sardinha, salmão e arenque). Os peixes de água fria têm tendência de acumular maior quantidade de gordura monoinsaturada e poli-insaturada, principalmente o ômega 3.

A quantidade de DHA e EPA nos peixes pode variar de acordo com a alimentação e a região onde esses peixes estão localizados.

Entretanto, para que tenha a preservação do ômega 3 nas preparações quentes, é necessário que o modo de preparo seja cozido, refogado, grelhado ou assado, mas nunca frito.

Diferença de ômega 3, 6 e 9
A diferença na composição química do ômega 3, 6 e 9 está na primeira dupla ligação entre os carbonos. No ômega 3 a dupla ligação está presente entre os carbonos 3 e 4, no ômega 6 (alfa-linoleico) entre carbonos 6 e 7 e no ômega 9 (ácido oleico) entre os carbonos 9 e 10. Além disso, ômega 3 e 6 são poli-insaturados (2 ou mais duplas ligações), e o ômega 9 é monoinsaturado (1 dupla ligação).

O ômega 6 tem ação de promover a inflamação, melhorar a cicatrização e minimizar a queda de cabelo. Está presente em óleos vegetais como canola, soja, algodão e milho.
O ômega 9 tem ação anti-inflamatória, assim como o ômega 3. Está presente em azeite de oliva extravirgem, azeitonas, abacate e gergelim.

Equilíbrio entre ômega 3 e 6
É necessário que aconteça um equilíbrio entre o consumo de ômega 3 e 6, agindo assim para um efeito metabólico protetor ao organismo. Isso acontece porque o ômega tem ação de suprimir a inflação e o ômega 6 de promover a inflamação.

Em alguns casos promover a inflamação é benéfico para o organismo, porque ativa os glóbulos brancos do sangue, auxiliando no combate as infecções atacando as bactérias e vírus que invadem o organismo.  

Por volta de 1990 devido às evoluções da agricultura e indústria houve um aumento do consumo de cereais, óleos e grãos ricos em ômega 6, e uma diminuição no consumo de ômega 3. A relação de ômega 6/ômega 3 que anteriormente era em torno de 1:1 ou 2:1, está atualmente em cerca de 15:1 ou até 40:1 o que pode gerar doenças cardiovasculares. Ainda não existe um consenso da relação ideal, porém existem estudos que mostram associação positiva em 4:1.

Recomendação
Ainda não existe consenso da recomendação diária de ômega 3, mas a FAO (Organização das Nações Unidades para a Alimentação e Agricultura) recomenda a ingestão de 200 g de peixe por semana, o equivalente a 250 mg de EPA e DHA, correspondendo a duas refeições com peixe por semana.

Para as gestantes e lactantes (mulheres amamentando) a recomendação de DHA é de 200 mg/dia e DHA + EPA de 300 mg/dia. Já para as crianças, a recomendação é bastante variável de acordo com a faixa etária.

SUPLEMENTAÇÃO
Os suplementos são indicados quando o indivíduo não consegue atingir a recomendação diária do consumo através da alimentação. Não precisa de prescrição médica para a sua compra, podendo ser encontrada facilmente, principalmente nas farmácias e lojas de suplementos, porém é aconselhável que a suplementação seja indicada e acompanhada por um médico ou nutricionista.

Podem ser classificados de acordo com a sua origem, podendo ser de origem animal ou vegetal, e também em relação a sua apresentação. A maioria dos suplementos são feitos à base de óleo de peixe, devido a fornecer maior quantidade de ômega 3, porém nem todos os públicos podem consumir (vegetarianos, veganos e alérgicos a frutos do mar), para isso existe os suplementos de origem vegetal.

Esses suplementos de origem vegetal podem ser feitos de algas marinhas e óleos de sementes, como chia e linhaça. Apresentam maiores quantidades de ALA, que são transformadas em EPA e DHA, porém é menos aproveitado para o nosso organismo, devido a isso a recomendação de ingestão deve ser maior.

Formas de compra
A suplementação pode ser encontrada na forma de cápsula, líquido, mastigável e em pó.
Normalmente a forma líquida, mastigável e em pó são indicadas para crianças e idosos, que tem dificuldade na ingestão da cápsula (fórmula mais facilmente encontrada).

A quantidade de consumo para atingir a recomendação diária depende da origem, forma de apresentação, concentração de cada marca e também a quantidade ingerida através da alimentação de fontes de ômega 3, sendo importante a leitura do rótulo presente no produto.

Ômega 3 em Cápsula
É o tipo de suplementação mais fácil de ser encontrada e consumida, devido a não sentir sabor no momento do consumo, porém é contraindicada para bebês, crianças ou indivíduos com dificuldade de deglutição de cápsulas.

Normalmente são encontrados com 60, 120, 180, 240 ou 360 cápsulas, com concentração de EPA e DHA de 783 mg/494 mg ou 500 mg/400 mg, porém variam de acordo com a marca.

Líquido
A versão líquida pode ser um facilitador para indivíduos que têm dificuldade em utilizar as cápsulas pelo tamanho e dificuldade de engolir, e alguns apresentam sabores para camuflar o gosto de peixe. Sendo indicado principalmente para bebês (principalmente a versão em gotas), crianças e idosos.  

No seu consumo deve ficar atento aos aditivos adicionados, pois muitas vezes podem trazer malefícios ao organismo no seu consumo em longo prazo.

Mastigável
As balas mastigáveis podem conter gelatina ou pectina, aromas naturais ou artificiais, xarope de milho, açúcar, água. Apesar de possuir açúcar a quantidade normalmente é baixa, não trazendo risco para o descontrole da glicemia.

Tem a mesma indicação da suplementação líquida, sendo indicada para crianças e idosos que tem dificuldade com o consumo da cápsula, porém não é recomendada para crianças menores de 2 anos devido a risco de asfixia. Acaba tendo melhor aceitação nas crianças, em relação a sua forma líquida, devido ao sabor e textura, lembrando bastante a uma guloseima.

Como no consumo do complemento líquido deve ficar atento aos aditivos, que podem trazer malefícios no consumo em longo prazo.

Em pó
É a forma mais difícil de ser encontrada, normalmente apenas feita em suplementos manipulados. Foi desenvolvido devido à tecnologia de microescapsulação, que ajuda a prevenir a oxidação da gordura, preservando assim a ação do ômega 3.  

Qual o melhor horário para o consumo do suplemento?
O horário para o consumo do suplemento deve considerar a rotina e preferência de cada indivíduo. Normalmente para evitar efeitos colaterais indesejados a melhor alternativa é consumir junto com as refeições, como o hálito forte de peixe após o consumo.

É recomendado não consumir o suplemento junto com medicamentos, pois a ação de alguns medicamentos pode ser influenciada pela ação de alimentos/suplementos, inibindo ou potencializando o seu efeito.

O que saber na hora de comprar Ômega 3
É importante no momento da compra prestar atenção na marca, pois o ômega 3 pode estar contaminado por mercúrio e outros metais pesados, devendo ser dado preferência por marcas que realizam matéria-prima pura. Para saber sobre a pureza, as empresas devem disponibilizar o laudo técnico da matéria-prima aos consumidores, mas também existe certificações internacionais (por exemplo IFOS e Intertek), que estão indicados no rótulo.

Os suplementos não são feitos 100% de ômega 3, podem ter outras vitaminas, minerais e gorduras associados. A maioria dos suplementos é feita de óleo de peixe, que possui ômega 3 na sua composição, mas também apresenta gordura saturada e colesterol. Devendo prestar atenção no rótulo, principalmente na quantidade de EPA e DHA.    

É aconselhável preferir suplementos com maiores concentrações de EPA e DHA, pois será necessária uma menor quantidade de suplemento para atingir a recomendação diária, principalmente se a forma de escolha for à cápsula. Isso pode ser verificado somando a quantidade de EPA e DHA compara com o peso da dose recomendada no rótulo. Normalmente as concentrações variam entre 15-60%.

No momento da compra é importante verificar a relação do preço com a quantidade de suplementação para atingir a recomendação diária, porque nem sempre o suplemento mais barato por embalagem terá o valor mais barato por porção.

O ômega 3 na suplementação na forma de capsulas normalmente está associado a vitamina E, devendo prestar atenção na quantidade dessa vitamina, pois o seu excesso pode ser prejudicial para o organismo.

Associação de ômega 3 e vitamina E
A associação do ômega 3 e da vitamina E nos suplementos acontecem para prevenir oxidação do ômega 3, devido à ação dos radicais livres, substâncias que podem ser prejudiciais ao organismo e que são produzidas a todo o momento, perdendo assim as suas ações benéficas.

A vitamina E (tocoferol) é um micronutriente solúvel em gordura (lipossolúveis) com ação antioxidante, ajudando a combater os radicais livres, substâncias prejudiciais à saúde, que são geradas a todo o momento.

As vitaminas lipossolúveis, diferente das vitaminas hidrossolúveis (solúveis em água), são armazenadas no organismo, sendo no tecido adiposo e no fígado. Devido ao seu armazenamento não precisa do consumo diário, ou o consumo diário é baixo, sendo a recomendação diária em adultos de 10 mg/dia.

As fontes alimentares da vitamina E são alimentos com maior densidade de calorias, como óleos vegetais, nozes, sementes, vegetais e gérmen de trigo.

Devido ao armazenamento das vitaminas lipossolúveis o seu excesso pode ser prejudicam para o organismo, como o caso da vitamina E pode gerar distúrbios metabólicos, como sangramento (podendo ser cerebral, o que causa derrame, principalmente em indivíduos que consomem medicamentos anticoagulantes), fraqueza muscular, cansaço, náuseas e diarreia.

Por isso, no momento do consumo do suplemento de ômega 3 com adição de vitamina E precisa ter atenção na quantidade da vitamina E, principalmente em relação a porcentagem condizente a recomendação diária. Lembrando que a suplementação de qualquer nutriente é indicada apenas quando a ingestão oral é insuficiente.

Contra indicação
É contra indicado para indivíduos que possuem alergia a peixe, devido à maioria das suplementações ser de óleo de peixe concentrado, porém existem os suplementos feitos de origem vegetal. Em gestantes e indivíduos com prótese cardíaca só podem consumir em acompanhamento médico ou nutricional para que não traga malefícios ao organismo.

Pode ser também contra indicado para indivíduos com doenças relacionadas à coagulação sanguínea, como os portadores de hemofilia, devido a possível risco de hemorragia, porém ainda é algo controverso, devendo ser conversado com o seu médico ou nutricionista.

Efeitos colaterais da suplementação
Os efeitos colaterais mais relatados estão associados ao trato gastrointestinal (sensações no estômago e intestino), como arroto, mau hálito, azia, náusea e fezes amolecidas. Para reduzir os efeitos colaterais existem algumas alternativas: congelar, consumir durante as refeições, modificar o horário da ingestão ou mudar a formulação.

Além disso, pode também apresentar a erupção cutânea e hemorragia nasal, com menor frequência. Já uma dose maior que 4 g/dia de óleo de peixe pode causar palpitação, perturbação ou dor estomacal, desconforto no peito e inchaço.

Qualquer efeito colateral deve ser suspendido à suplementação e avisar ao médico ou nutricionista para que seja possível verificar a melhor alternativa do horário da ingestão ou alteração da dosagem com a finalidade de minimizar os efeitos colaterais.

Excesso de ômega 3
Os efeitos colaterais relacionados ao excesso do consumo do ômega 3 normalmente está relacionado ao excesso de suplementação, dificilmente acontece por consumo através da alimentação

Alguns estudos mostraram uma relação em homens do consumo excessivo de ômega 3 com câncer de próstata, porém a quantidade do consumo que seria considerado excessivo ainda não é bem discutida na literatura.

Faz mal para o fígado?
O consumo do suplemento dentro das recomendações diárias não traz malefícios para fígado, podendo até ter efeito benéfico no tratamento da gordura do fígado, isso é devido ao efeito de prevenir inflamação, mas a indicação deve ser analisada por um médico ou nutricionista.

Fonte
Dra. Caroline Leite Constantino – Nutricionista Clínica – UTI na IBCC oncologia. Graduada em Nutrição e pós graduada em Nutrição Clínica pelo Centro Universitário São Camilo

Consumo de nozes e amendoim minimizando o risco de câncer e sua mortalidade

Na revista Advances in Nutrition, um estudo recente teve como objetivo revisar e analisar pesquisas atuais sobre a associação entre o consumo de nozes e amendoim com o risco de câncer e sua mortalidade. Os autores usaram uma abordagem de meta-análise para reunir e examinar a literatura atual. Além disso, eles descobriram que nenhuma meta-análise anterior usou a associação dose-resposta para o risco de cânceres específicos, bem como as associações entre tipos específicos de nozes e mortalidade por câncer.

Usando um banco de dados online, eles encontraram um total de 43 artigos sobre câncer e 9 artigos sobre mortalidade por câncer. Depois de examinar os artigos identificados, eles descobriram que o tamanho do efeito de resumo (ES) para risco de câncer e o ES para a ingestão de nozes era significativamente inverso. Além disso, olhando mais de perto a análise de dose-resposta, eles concluíram que um aumento de 5 gramas por dia no consumo total de nozes estava associado a riscos 3%, 6% e 25% mais baixos de cânceres de cólon, pancreáticos e gerais. Com relação à mortalidade por câncer, eles encontraram 13%, 18% e 8% de redução de risco com níveis mais altos de consumo total de nozes, nozes e amendoim. Além disso, o aumento de 5 gramas por dia no consumo total de nozes também foi associado a uma redução de 4% no risco de mortalidade por câncer.

Alimentação no centro do combate ao Covid-19

* por José Eduardo Mendes de Camargo

Não é segredo que a manutenção de uma alimentação saudável e equilibrada é fator essencial para a manutenção de boa condição de saúde, para a ampliação da imunidade e para a prevenção de inúmeras doenças. O mesmo raciocínio, que vale para o câncer, a diabetes, a obesidade, e para diversas doenças cardiovasculares, apenas para citar algumas, também se aplica ao novo coronavírus, ou Covid-19.

Um estudo publicado recentemente pelo EAT-Lancet, liderado cientistas dos campos da saúde, nutrição, agricultura e meio ambiente, destaca a importância das nozes e castanhas para a ampliação da imunidade, destacando-os como substâncias fundamentais para a manutenção da saúde. E esses benefícios devem ser considerados pela população em geral especialmente agora, no contexto da pandemia provocada pelo Covid-19.

Ricos em Zinco e proteínas vegetais, as castanhas e as nozes auxiliam no desenvolvimento e na diferenciação das células do sistema imunológico e anticorpos, desempenhando um papel fundamental para que o organismo possa se proteger de diversas doenças, mantendo-se ou sendo menos agredido por organismos estranhos e prejudiciais.

De acordo com o estudo do EAT-Lancet, elaborada com vistas a sugerir caminhos para que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU fossem possíveis, é necessário estimular a redução em mais de 50% de alimentos não saudáveis – incluindo carne vermelha, adoçantes artificiais e grãos refinados –e ampliando em mais que o dobro o consumo de alimentos saudáveis – a exemplo de nozes, castanhas, frutas, vegetais e legumes, o que exigirá mudanças dos padrões atuais de produção de alimentos.

Além de favorecer a saúde da população mundial num momento muito delicado, a ampliação do consumo de nozes e castanhas favorece um setor importante do agronegócio brasileiro, representativo de um segmento extremamente representativo para a geração e recuperação da economia. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, em 2017 o setor representou mais de 44% do PIB brasileiro.

O Brasil tem, capacidade e potencial para se tornar um dos principais produtores do mundo de nozes e castanhas, uma cultura relevante, distribuidora de rendas, bastante versátil e representativa de benefícios à saúde e ao meio ambiente. Estimular o consumo de castanhas e nozes é fator crucial para a manutenção da saúde física e econômica não apenas da nação brasileira, mas de todo o mundo.

* José Eduardo Mendes de Camargo, é presidente da Associação Brasileira de Nozes e Castanhas (ABNC) e diretor do Departamento de Agronegócios da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP).

Sustentável e saboroso, cacau da Amazônia está se tornando “o ouro negro” da floresta

A uma hora de barco de Belém, Manoel do Carmo Monteiro da Silva observa a vegetação de Barcarena enquanto dirige a “rabeta” – pequena embarcação típica da região – até a sua comunidade, em Bom Jardim. “Aqui, temos uma concentração de cacau nativo. Mas por falta de conhecimento e pelo preço do transporte, a cultura do cacau está se perdendo para dar lugar ao açaí”, lamenta o ribeirinho. “Mas eu vejo isso de outra forma!”, comemora.

Manoel, mais conhecido como Xiba, tem até mesmo uma barra de chocolate com seu apelido: com 81% de concentração de cacau, a “Xiba” ganhou destaque no Salão do Chocolate, em Paris, a maior feira do setor na França. “Os críticos perceberam um sabor de rosa no meu cacau, de origem muito humilde, e aí eu soube que estava fazendo um produto de grande qualidade”, diz, sem esconder seu orgulho. 

Caminhar na floresta com Xiba é uma aula de botânica e ornitologia. Da andiroba até o canto do uirapuru, o local não apresenta quase nenhum segredo para ele.

Cacau fino

Xiba aprendeu a cultivar o cacau com o pai, mas não para produzir chocolate e sim para consumir a polpa da fruta ou vender sua semente. Foi com chocolatier da Amazônia Cesar de Mendes que o ribeirinho começou a fazer cacau fino, com fermentação e secagem das sementes. Hoje, ele consegue obter 500 kg da fruta a cada safra – uma em janeiro e outra em junho. 

No entanto, a cada ano, Xiba tem a impressão que a produção diminui. “Na época do meu pai, a terra dava muito cacau, era uma árvore em cima da outra. Esse ano já vou perder 30% em comparação com o ano passado.”

Ele conta que recebeu muitas propostas para a venda da madeira da floresta onde mora, mas sempre se recusou a vendê-la. “É para o futuro. Os filhos dos meus filhos devem conhecer essas árvores, então tento preservar”, argumenta.

Graças ao conhecimento sobre a fermentação e secagem do cacau, o produto ganhou um valor extra. “Barcarena é um lugar muito interessante”, explica o chocolatier Cesar De Mendes, no seu sítio, em Santa Bárbara, onde cultiva vários tipos de frutas, da banana ao cacau. “É um solo argiloso e inundável, onde cresce o cacau nativo chamado ‘Maranhão’. Nos anos 1640, foi o primeiro cacau a ser exportado para Europa”, conta.

Chocolate que conta histórias

Segundo o ex-engenheiro químico, agora chocolatier reconhecido, as particularidades do território onde cresce o cacau se sentem no paladar de quem o experimenta. As notas cítricas, amadeiradas, doces, dependem de vários fatores: as características do solo, a variedade da fruta, a incidência da luz, a disponibilidade de água, mas também do “equilíbrio microbiano” que fermenta o cacau. “Fora do Brasil, no mundo, tem em média 78 micro-organismos que fermentam o cacau. Na Amazônia, são 150!”, detalha.

De Mendes é um dos chocolatiers pioneiros na Amazônia, integrante do movimento “tree to bar“, da semente à barra. Os tabletes de chocolate que ele vende contém poucos ingredientes: o cacau das comunidades com quem trabalha, a manteiga da própria fruta e rapadura orgânica. 

Na embalagem de cada barra estão as coordenadas geográficas do local de origem do cacau, além da história dos produtores. “Eles são os protagonistas, não a gente”, salienta De Mendes. “Para mim, esse chocolate é uma ferramenta para mostrar que pode ser viável manter essa floresta em pé, que podemos fazer comércio sem desmatar, preservando a cultura dos povos tradicionais”, defende. 

Através do seu chocolate, De Mendes também garante uma renda digna para as comunidades ribeirinhas, quilombolas e indígenas com quem trabalha. Na cadeia do cacau, os produtores ganham geralmente 7% da renda do produto final, e o comércio fica com 43%. De Mendes tenta pagar aos produtores pelo menos o dobro do preço do mercado. 

Em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA) ele conta que produziu chocolate junto com a comunidade indígena Yanomami, que vende 50 gramas por R$ 50. A renda inteira volta para a comunidade. “Uma forma de ajudar”, segundo o chocolatier.

Filhas do Combu

Ainda é raro encontrar produtores de cacau que sabem fazer o próprio chocolate. Izete dos Santos Costa é uma dessas pessoas apaixonadas por essa arte. Popularmente conhecida como Dona Nena, a ribeirinha mora na ilha do Combu, na frente de Belém. Ela criou a sua própria marca de chocolate, “Filhas do Combu”, que produz com outras mulheres da família. 

Mas antes de conseguir realizar esse sonho, encontrou muitas dificuldades. “Primeiro, fui vista como doida. Nem a minha família acreditava em mim. Ainda hoje, eu sinto essa dificuldade, porque infelizmente o machismo impera. Como mulher, é muito difícil dirigir homens, porque eles não aceitam receber ordens de uma mulher”, afirma Dona Nena. 

A empresária olha com desconfiança as embarcações que passam a toda velocidade em frente à sua casa. Aos finais de semana, barcos de turistas com música alta e jet-skis circulam o tempo inteiro pela região. 

“Esse turismo selvagem é muito preocupante. Além de ameaçar a fauna, degrada a flora e as beiras dos rios. A erosão está chegando às nossas casas, e já tivemos que mudar o nosso modo de vida: as crianças não brincam mais de ‘casquinha’ – brincadeira em uma canoa pequena -, e não conseguimos mais pescar camarões”, revela.

Nos finais de semana, a ribeirinha também organiza visitas guiadas em seu ateliê de chocolate, com degustação e explicação sobre a cultura e a história do cacau da Amazônia. Trazendo os visitantes para a sua casa, a empresária tenta incentivar um turismo mais sustentável. 

Para ela, explicar como é feito o chocolate faz parte de “uma luta para que as pessoas tomem consciência sobre o que é um bom chocolate”. Para combater o turismo selvagem que está cada vez mais prejudicando a ilha, Dona Nena também criou uma associação com outros moradores. “A gente combate isso, mas infelizmente avançamos bem devagar”, lamenta. 

FORBES: 73% dos executivos da indústria alimentícia acreditam que alimentação saudável será tendência em 2021

alimentação é parte importante da vida dos brasileiros. Segundo dados da última Pesquisa de Orçamentos Familiares publicada pelo IBGE entre 2017 e 2018, os gastos com alimentação aparecem em terceiro lugar –o que corresponde a 17,5%– na lista de despesas da população, estando atrás apenas dos gastos com habitação e transporte.

Ingredientes tidos como mais saudáveis já são tendência há algum tempo e agora uma outra pesquisa vem corroborar o dado. Um estudo realizado pela Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil), apoiado pela DuPont Nutrition & Biosciences e com participação de outras 60 empresas da indústria alimentícia, com executivos do setor mostrou que 73% dos consultados acreditam que os produtos de linhas saudáveis serão os principais impulsionadores dos negócios no país nos próximos meses.

alimentação é parte importante da vida dos brasileiros. Segundo dados da última Pesquisa de Orçamentos Familiares publicada pelo IBGE entre 2017 e 2018, os gastos com alimentação aparecem em terceiro lugar –o que corresponde a 17,5%– na lista de despesas da população, estando atrás apenas dos gastos com habitação e transporte.

Ingredientes tidos como mais saudáveis já são tendência há algum tempo e agora uma outra pesquisa vem corroborar o dado. Um estudo realizado pela Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil), apoiado pela DuPont Nutrition & Biosciences e com participação de outras 60 empresas da indústria alimentícia, com executivos do setor mostrou que 73% dos consultados acreditam que os produtos de linhas saudáveis serão os principais impulsionadores dos negócios no país nos próximos meses.

A segunda tendência mais mencionada na pesquisa foi os serviços de delivery e food service no geral. Essa categoria foi alavancada pela pandemia de Covid-19 e pelo aumento de pessoas fazendo home office. E, embora possa parecer contraditória a busca por um estilo mais saudável e o aumento das compras de comidas prontas, Karacristo relembra que hoje em dia existem deliveries dos mais variados tipos de alimentos. Além disso, as próprias redes de fast food estão investindo em opções mais saudáveis e naturais.

A rede Arcos Dorados, controladora do McDonald’s no Brasil, concluiu ano passado o processo de substituição de corantes e aromatizantes artificiais de alguns dos principais ingredientes dos produtos vendidos. “Nos últimos 10 anos, trabalhamos para reduzir calorias, sódio e açúcar de diversos itens. Agora já somamos 14 ingredientes que não possuem mais corantes e/ou aromatizantes artificiais”, afirma Paulo Camargo, CEO da divisão Brasil da rede.

Sustentabilidade, tecnologia e sabor

Comer bem significa também escolher alimentos que provenham de cadeias de produção e distribuição alinhadas com pautas ESG. Uma das grandes preocupações da indústria alimentícia é desenvolver tecnologias que produzam alimentos com menores teores de gorduras, sódio e calorias, mas que ainda mantenham o sabor e a textura que o consumidor final espera. A pesquisa da Amcham mostra que 41% dos executivos participantes acreditam que em 2021 as marcas estarão mais envolvidas em pautas de responsabilidade coletiva.

Deborah Vieitas, CEO da Amcham Brasil, pontua que as novas regras de rotulagem que devem entrar em vigor a partir de 2022 vieram para alavancar esse processo. As novas políticas foram resultado de extensas pesquisas, consultas públicas e o trabalho conjunto de órgãos reguladores, associações da indústria e consumidores. Karacristo diz que essa é uma mudança que irá forçar a indústria a seguir uma linha mais saudável, o que vai exigir que o setor invista em pesquisa e novas tecnologias que não impactem no valor final dos alimentos que chegam às prateleiras dos supermercados.

Segundo Camargo, a Arcos Dorados investe em diversas estratégias que visam promover um futuro mais sustentável, como diminuição do uso de plásticos nos restaurantes, implementação de projetos de eficiência energética e parceria com cooperativas para reaproveitamento de óleo vegetal como biodiesel. “Nossos fornecedores devem seguir padrões de qualidade e segurança alimentar, observando as boas práticas trabalhistas, direitos humanos, bem-estar animal e gestão ambiental”, completa o executivo.

Outra preocupação dos consumidores é relacionada ao consumo de carne. Nesse sentido, os produtos à base de vegetais são grandes aliados na busca por uma produção mais sustentável, já que 95% dos consultados acreditam que esses esforços trarão impactos reais em 2021. Segundo dados da pesquisa “Soy Protein: Impacts, Production and Applications” (Proteína de Soja: Impactos, Produção e Aplicação em português), a produção de proteína de soja utiliza 42 vezes menos água do que a proteína animal. Do ponto de vista do consumidor, isso significa que deixar de consumir carne uma vez por semana emite 123 kg a menos de CO2 em um ano.

Deborah afirma que o Brasil tem papel importante nessas transformações por ser um país mundialmente reconhecido pela capacidade tecnológica e protocolos de segurança. Esses recursos abrem espaço para cooperações estratégicas que promovem comércio internacional, segurança alimentar e sustentabilidade.

Fonte: Forbes

A CASTANHA SUSTENTÁVEL BRASILEIRA DA LABRAFLORA QUE ESTÁ CONQUISTANDO – E CURANDO, O CORAÇÃO DO MUNDO

O Cerrado, também conhecido como savana brasileira, localizado no Planalto Central, é o segundo bioma do país em área, apenas superado pela Floresta Amazônica. Apresenta rica biodiversidade com grande número de espécies vegetais, e os estudos envolvendo estas espécies é de suma importância para divulgar conhecimento sobre as características nutricionais, incentivar o consumo , o manejo sustentável e o cultivo econômico, contribuindo para a preservação deste bioma, desde que haja o aproveitamento industrial alinhado a projetos envolvendo biodiversidade para alimentação e nutrição.

Uma espécie nativa do cerrado que vem se destacando como alimento é o do baru, leguminosa arbórea lenhosa, conhecida até pouco tempo para aproveitamento como madeira e a partir dos estudos em universidades, órgãos de pesquisas e organizações ambientalistas, o conhecimento do valor nutricional e funcional do baru tem chegado à população, valorizando seu potencial tecnológico e econômico.

O baruzeiro apresenta intensa frutificação, cerca de 2.000 a 6.000 frutos por planta, a colheita é realizada entre setembro e outubro, época mais seca da região. Produz frutos com epicarpo fino, de aspecto macio e quebradiço, com mesocarpo espesso, farináceo e de consistência macia constituindo a polpa que envolve um endocarpo lenhoso contendo uma única semente oleaginosa comestível, denominada castanha de baru, sendo esta a parte mais valorizada e comercializada. O baru é consumido pela população local e hoje já é industrializado em pequenas empresas ou cooperativas, com perspectivas de rápido crescimento inclusive para exportação. As castanhas podem ser utilizadas em substituição a outras castanhas em preparações culinárias ou produtos industrializados como paçocas, biscoitos, barras de cereais, bolos, chocolates, aperitivos, molhos, farinhas, óleos entre outros. Existe interesse tecnológico sobre as potencialidades do baru, não só da semente, mas também da polpa e do endocarpo. A semente do baru representa 5% do rendimento do fruto inteiro e a polpa 30%, assim já são fabricados produtos alimentícios da casca e polpa de baru desidratada em forma de chips ou farinha e o endocarpo lenhoso, resíduo da industrialização, pode ser aproveitado para fabricação de carvão ou como forração de jardins.

Baru como super alimento –  seu aspecto nutricional

Os valores nutricionais de frutos do cerrado são informações importantes para aplicação tecnológica, avaliação do consumo e formulação de novos produtos, promovendo o consumo e consequentemente conscientização sobre a preservação de espécies economicamente aproveitáveis.

Como a maioria das oleaginosas, a castanha de baru apresenta quantidades consideráveis de lipídios e proteínas, e em decorrência disso, constituem boas fontes energéticas, porém o seu maior destaque são as vantagens dos compostos funcionais que incluem ácidos graxos poli-insaturados, fibras e fitoquímicos que, além da nutrição básica, trazem benefícios à saúde, à capacidade física e ao estado mental, prevenindo doenças.

A castanha de baru apresenta em média de 26% de proteínas, valor maior do que o amendoim, castanha de caju e castanha do Pará, e fornece todos os aminoácidos essenciais. Além dos aminoácidos essenciais, destaca-se o conteúdo de glutamina da amêndoa de baru, aminoácido responsável pela manutenção do equilíbrio ácido-base, regulação da síntese e degradação proteica, melhora da imunidade, da absorção intestinal, indispensável para recuperação de indivíduos desnutridos, em pós-operatório e utilizado em dietas parenterais. A castanha de baru é uma ótima opção de grupos específicos, como os vegetarianos que precisam ingerir fontes proteicas de origem vegetal de melhor qualidade.

Quanto aos lipídeos a porcentagem é em torno de 38 % , valor abaixo do amendoim e das castanhas de caju e do Pará, sendo importante para dietas hipocalóricas. Outra vantagem nutricional da castanha de baru é que apresenta proporção de ácidos graxos essenciais que contribui para prevenção de doenças cardiovasculares.

Carboidratos

O conteúdo de carboidratos da castanha de baru é em torno de 12%, apresentando baixo índice glicêmico, auxiliando no controle das taxas de glicemia, evitando os picos de insulina e ajudando no controle do peso.

Fibras

Outro destaque da castanha do baru é o alto teor de fibra alimentar, 14%, valor que representa de 2 a 3 vezes o teor do amendoim e das castanhas brasileiras de caju e Pará. As fibras são compostos considerados funcionais por prevenirem doenças cardiovasculares, reduzirem nível de colesterol sanguíneo e o risco de desenvolvimento de alguns tipos de cânceres, principalmente do intestino. A castanha de baru possui alto teor de minerais, possui mais cálcio do que o leite e mais ferro do que a carne.

Uma porção de 100 gramas equivale a 59% da ingestão diária recomendada de ferro, sendo importante para combate à anemia. Também é fonte de potássio, fósforo, magnésio e zinco. É importante ressaltar o alto teor de potássio e a reduzida concentração de sódio o que pode favorecer o controle hidroeletrolítico e da pressão arterial.

O zinco é um mineral que ajuda na imunidade e no controle de diversas doenças e importante para a fertilidade feminina e masculina, 100g de castanha fornecem 47% da quantidade de zinco recomendada por dia. A amêndoa de baru apresenta maiores teores de compostos fenólicos totais comparativamente ao amendoim, avelãs, castanha-do-brasil, castanha de caju, pinhões e macadâmias.

O consumo de alimentos antioxidantes e ricos em fitoquímicos está relacionado à redução do risco de doenças crônicas e degenerativas como doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, doenças neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson e alguns tipos de câncer.

O óleo de Baru

O óleo extraído da castanha é fonte também de potente antioxidante e preventivo na formação de trombos. Os ácidos graxos da família ômega, quando consumidos nas dosagens recomendadas, são importantes na prevenção da hipertensão e na redução do colesterol total e LDL (colesterol ruim), regularizam os níveis de glicose no sangue, reduzem a gordura abdominal e a incidência de câncer, além de ajudarem na cicatrização e na diminuição da queda de cabelo.

Saiba mais: https://www.onews.com.br/politica-e-economia/baru-a-castanha-sustentavel-brasileira-da-labraflora-que-esta-conquistando-e-curando-o-coracao-do-mundo/

Fonte: O.news