Como montar um negócio de beneficiamento da castanha de caju

A presente idéia de negócio apresenta em seu conteúdo as informações básicas para que um empreendedor possa decidir por abrir um negócio de beneficiamento de castanha. Esse trabalho possui diversas dicas e informações para o empreendedor ponderar, por exemplo, sobre localização, tipos de segmento de mercado a ser buscado, números do setor e dicas importantes para montar o negócio.O caju, o pseudofruto, é suculento e rico em vitamina c e ferro. Depois do beneficiamento do caju preparam-se sucos, mel, doces, passas, rapaduras e cajuína.

O seu suco fermenta rapidamente e pode ser destilado para produzir uma aguardente.O fruto propriamente dito é duro e oleaginoso, mais conhecido como castanha de caju , cuja semente é consumida depois do fruto ser assado, para remover a casca, ao natural, salgado ou assado com açúcar.A extração da amêndoa da castanha de caju depois de seca, é um processo que exige tempo, método e mão-de-obra.A castanha-de-caju ainda verde (maturi) também pode ser usada nos pratos quentes.

Este documento não substitui o plano de negócio .Para elaborá-lo procure o Sebrae.

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“No Amazonas, com domesticação de espécies nativas, pecuária dá lugar à plataforma de Bioeconomia”, diz Roberval Lima – Embrapa

A economia baseada na diversidade biológica é uma maratona que começou há alguns séculos nos desafios de enfrentamento da natureza. Segundo o pesquisador Charles Clement, INPA, os índios da Amazônia plantavam castanheiras racionalmente para perenizar essa preciosa fonte nutricional há 10 mil anos. Nessa entrevista, o pesquisador e pós-doutor Roberval Monteiro Bezerra de Lima (*) – Embrapa Amazônia Ocidental, consultor técnico-científico pela Fazenda Agropecuária Aruana, conta como se deu a domesticação da Castanha-do-Pará ou do Brasil no Estado do Amazonas, no município de Itacoatiara, a 215 Km de Manaus. Pesquisa e inovação, com suporte da Embrapa, INPA, Universidades locais,  e determinação de ex-pecuaristas da família Vergueiro. Este pioneirismo se tornou referência amazônica de reflorestamento e domesticação de várias espécies, que antecedem e preparam um novo tempo de prosperidade, a Bioeconomia sustentável.

Alfredo Lopes
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1.Follow Up – Há 50 anos, a convite do governador do Amazonas, Danilo Areosa, empresários paulistas vieram fazer pecuária do Amazonas. Descobriram, rapidamente, que este não era o melhor negócio na região. Um deles, Sérgio Vergueiro, resolveu trocar pecuária por reflorestamento na área removida com o plantio de Castanha, Pupunha, Andiroba e Copaíba, entre outras espécies de alto valor comercial. Aproximadamente 3 milhões de indivíduos e distribuição de outras tantas mudas para os pequenos agricultores do Estado. Quais as vantagens e o risco desta escolha?

Roberval Monteiro Bezerra de Lima – Uma das grandes vantagens dessa tomada de decisão,  feita pela Agropecuária Aruanã, foi exatamente recuperar uma área que estava se degradando com as pastagens e ter introduzido um componente florestal de ciclo longo, notadamente, a castanha-do-Brasil. De quebra, isso resultou num protocolo seguro e demonstrativo para outras espécies e regiões da Amazônia, algumas amaçadas pelo desmatamento. Tratam-se de espécies que fazem uma ciclagem de nutrientes anualmente, especialmente a castanha do Brasil, que depositam sobre o solo matéria orgânica que vai recompondo esse solo, além de atenuar a infiltração de água por chuvas torrenciais, assim evitando a erosão dos nutrientes. Ao mesmo tempo essas espécies atraem a fauna, a flora e micro-organismos para o próprio solo. Então tudo isso resulta que, num breve período de tempo, essas áreas são ser restauradas e incorporadas novamente ao processo produtivo. Mas não só isso, além dessa contribuição ambiental para Amazônia, tem um componente econômico importante que é gerado pelos frutos, principalmente da castanha-do-Brasil, que começam a dar lucro a partir dos 15 anos de idade. Então, esses dois pontos são importantes vantagens dessa estratégia. Um dos grandes riscos que se corria, há 30 anos, era a falta de informações sobre como essa espécie nativa da Amazônia iria se comportar em sistema de monocultivo, em espaçamentos mais adensados do que naturalmente ocorre na natureza. Em ambiente natural, a castanha-do-Brasil ocorre a uma taxa de 2 a 5 indivíduos por hectare, e nos plantios em monocultivo, atualmente, essas árvores são plantadas em uma densidade de 100 indivíduos por hectare num espaçamento de 10×10. E isso é uma grande diferença a favor do cultivo racional. Ninguém sabia como essa espécie iria se comportar, considerando as experiências com outras espécies valiosas como o cacau, a seringueira e o mogno que, quando adensados, não prosperavam em função da incidência de pragas e doenças. Felizmente, isso não ocorre com a castanha, uma espécie muito forte, bem adaptada aos nosso ambiente e, até hoje, não se tem notícia de nenhuma praga ou doença que seja limitante ao seu monocultivo. Além disso, por ela ser bem adaptada não é exigente em nutrientes, também o que é importante para o ambiente amazônico. O nome desse processo é domesticação e é um protocolo facilmente replicável em outras regiões degradadas na Amazônia.

2. Fup – Cientistas e pesquisadores que hoje visitam a Fazenda Aruanã, da família Vergueiro, costumam dizer que ali se forma uma plataforma de produtos sustentáveis para Bioeconomia. Você concorda com essa afirmação?

R.M.B.L – Sim, concordo e posso dizer porquê. Posso dizer também que no  Amazonas, com domesticação de espécies nativas, a pecuária deu lugar a uma plataforma de Bioeconomia. Ali estão sendo domesticadas algumas espécies que tem essa vertente bioeconômica, com protocolos que irão escrever uma nova história do reflorestamento inteligente na Amazônia. Temos consolidados os plantios, principalmente de quatro espécies: castanheira-do-Brasil, cumaru, jatobá e andiroba. Todas essas espécies são espécies endêmicas da floresta nativa e que estão passando por um processo de domesticação para que possam ser utilizadas economicamente em maior escala de aproveitamento. É claro que, para se domesticar uma espécie e se conhecer todos os seus ciclos de produção em outro ambiente, necessitamos de pesquisas para determinar todas as condicionantes que possam assegurar crescimento e robustez. Já temos muitos estudos e muitos precisam ser feitos, desde a produção de mudas, que é onde tudo se inicia com coleta de sementes, até a colheita final. Para chegar até aí, consolidamos a melhor forma de plantio, as formas de adubação, tipo de espaçamento e o estudo da produção e da identificação das melhores árvores, as árvores plus que, no futuro, serão as matrizes de outros plantios. Então, além disso, na Fazenda Aruanã, consolidamos um banco de matrizes que poderão ser a base para outros programas de reflorestamento na Amazônia. É evidente que para se ter essa base genética é preciso que se tenha o máximo possível de diversidade do germoplasma. É fundamental ter todos os cuidados no momento da coleta, e selecionar  as sementes de, pelo menos, 20 árvores da floresta para assegurar uma sólida base genética. Toda esse acervo de informações disponibiliza, com certeza, uma contribuição ao processo bioeconômico que se credencia, cada dia mais, como o modelo de desenvolvimento adequado para a floresta.

3. Fup – A castanha do Pará, ou do Brasil, tem um mercado secular garantido. A pupunha, tanto o fruto como o palmito, tem demanda reprimida de mercado. É um alimento  região de altíssimo valor nutricional e de sabor consagrado . E o óleo da copaíba ou andiroba, tem aplicações medicinais surpreendentes. Você diria que as condições de Bioeconomia já estão ali asseguradas?

R.M.B.L. – No momento ainda não, pois esses protocolos não significam boas taxas de retorno por si só. Precisamos dar melhor condições estruturais para o desenvolvimento da Bioeconomia na Amazônia, precisamos de estradas, principalmente no Estado do Amazonas, ou estradas com uma melhor concepção/interação com nossas vias fluviais. Precisamos incentivar a cultura do reflorestamento. Isso desestimula o desmatamento e aponta para negócios inteligentes, rentáveis e sustentáveis. Isso supõe investimentos em qualificação de recursos humanos. Além disso tem a questão fundiária, regularização dos título agrários, este é um problema antigo e que precisa ser resolvido. E também, temos que rever as normas ambientais que podem ser simplificadas para que as pessoas que decidem investir na Amazônia se sintam em condições de fazê-lo. Por exemplo, entre muitas normas existe o SisGen, a nova Lei de Acesso à Biodiversidade, um sistema onde você tem que registrar todas as espécies nativas que está explorando e onde está assegurada a repartição de benefícios para as populações tradicionais. Evidente que isso é uma coisa importante, essa repartição de benefícios, mas precisa ser um sistema amigável onde o empresário, ou sua equipe, possa transitar facilmente e não ser tratado como meliante. Ou seja, é preciso desburocratização para o desenvolvimento da Bioeconomia na Amazônia. Outra questão importante é saber como o Brasil se tornou um dos maiores exportadores de polpa de celulose, o cavaco, para produção de papel. Isso ocorreu graças a uma política de contrapartida fiscal para esses plantios. Desse modo, o Brasil plantou 6 milhões de hectares, principalmente, com a espécie do gênero eucalipto e pinus. Como a política fiscal previa um prazo para se retirar, o tempo combinado foi suficiente para que o setor andasse com suas próprias pernas. Essa política cabe para a Amazônia, com  algum tipo de incentivo fiscal para as pessoas que pretendem implantar espécies de interesse bioeconômico como castanha-do-Brasil, cumaru, copaíba, jatobá, andiroba, pau rosa, porque todas essas espécies são espécies de ciclo longo, com um tempo de maturidade para começar a produzir em torno de 10, 15 anos dependendo dos processos. Caso contrário, fica complicado para um investidor imobilizar seu recurso por 10, 15 anos para esperar o retorno. Com uma política de contrapartidas, fiscais como se fez com o Comércio e a Indústria no Amazonas, a Bioeconomia será rapidamente um fato que espalhará benefícios, sustentabilidade e dívidas para o país.

4. Fup – Energia da biomassa, tanoaria, madeira para movelaria com design tropical, são alguns dos outros subprodutos que a Aruanã já começou a empinar. Você acredita que este modelo pode ser replicado em outras áreas degradadas da Amazônia?

R.M.B.L. – Tenho certeza científica dessa modelagem, pois se trata de um modelo que prevê plantio de espécies florestais para recuperação de áreas degradadas. Em primeiro lugar, atende ao objetivo de recuperar essas áreas,  um objetivo ambiental de recuperação de áreas esgotadas pelo mau uso. Ao mesmo tempo você pode dar um viés econômico a essas áreas de restauração. O importante é você sempre manter a cobertura florestal do solo. E se você faz uma recuperação adequada de uma área, pode explorar seus produtos, os frutos, a biomassa, incluindo os créditos ambientais, mas sempre deixando assegurada a cobertura florestal, e as vantagens ambientais que isso representa. O nome disso é sustentabilidade. Evidentemente você não vai poder restaurar uma área e explorar todas as árvores que você plantou. Tem que ter o manejo das áreas de modo a manter a sua viabilidade e liquidez permanente. Aqui na Amazônia nós temos 8 milhões de hectares de áreas em estado de degradação. Isso aproximadamente equivale a toda a área que nós temos de floresta plantada no Brasil. Então, nós não precisamos mais encurtar/desmatar a floresta para plantar árvores, seria contrassenso. Basta utilizar as áreas que já foram abertas e que em algum grau já estão em processo de degradação. Por isso, quando você planta uma árvore ela tem todo um conjunto de serviços ambientais que está sendo disponibilizado não só para o produtor, para aquele que plantou, como para todo o país e para o planeta. Então, essa árvore está sequestrando o carbono, principalmente, transformando aquele CO2 que está na atmosfera em alimento para ela e guardando, fixando, esse carbono nas suas estruturas. Além disso, você tem toda a questão do equilíbrio ambiental. Essas árvores vão fazer a fotossíntese, elas vão fazer ciclagem de nutrientes, vão recuperar o solo. Então nesse tema considero de fato importante você combinar o plantio de árvores na recuperação de uma área. Inclusive não pode ser só as árvores em monocultivo, você pode utilizar os sistemas agroflorestais, ou seja, você vai aproveitar o crescimento inicial das árvores com outras espécies que demandam mais luz, então você pode associar com milho, feijão, macaxeira, com outras espécies que poderão também beneficiar o produtor. É realmente uma estratégia bem interessante para Amazonia.

5. Fup – Castanha-do-Brasil virou tese na USP contra o mal de Alzheimer. Que outras doenças podem encontrar respostas nas espécies plantadas na Fazenda Aruanã?

R.M.B.L. – É curioso nessa história, que ganhou o Prêmio Jovem Cientista, foi o convite feito à pesquisadora, Dra. Bárbara Cardoso, orientada por Silvia Cozzolino,  para atuar na Universidade de Melbourne, na Austrália, onde pesquisa e desenvolvimento anda de braços dados com o mercado. Aqui devemos fazer o mesmo. Vejam a relação da Embrapa com o Agronegócio. Em 2018, uma pesquisa conduzida pelo Instituto de Química e pelo Instituto de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas da UNICAMP apresentou resultados importantes do óleo de copaíba no tratamento de nove tipos de câncer, incluindo o câncer de mama. Na Fazenda Aruanã, onde Embrapa, Ufam, INPA, USP, entre outras instituições já descobriram que o Eldorado é verde, algumas espécies que têm sido plantados como Jatobá, cumaru, copaíba, castanha do Brasil, estão à disposição para mais estudos. Por lá, tem passado dezenas de pesquisadores atrás dessas respostas que inquietam a Humanidade. Nós sabemos que na Amazônia existem milhares de espécies que ainda são desconhecidas – que podem auxiliar na cura de doenças – sobretudo as espécies utilizadas há 20 mil anos pelas populações tradicionais. Então, é uma riqueza que nós temos e que precisamos preservar. É um banco genético de espécies com potencial para resolver problemas de saúde, alimentação funcional, cosméticos e insumos de diversas indústrias. Evidentemente que, a medida que cresce a demanda por alguma espécie nativa, essas espécies, naturalmente, devem passar pelo processo de domesticação, porque a coleta dessas espécies no ambiente natural é um tanto quanto difícil para os produtores. As espécies ocorrem em uma baixa densidade, então a pessoa precisa andar muito, carregar nas costas o produto, trazer para sua colocação e depois beneficiar de uma maneira muito precária, muitas vezes sem energia elétrica, e não tem como conservar o material. Então, esse processo de domesticação para fazer o adensamento dessas espécies em áreas produtivas, é uma das estratégias importantes, inclusive para essas espécies que podem ser utilizadas pela medicina, como: bioprodutos, bioativos, componentes de alguns remédios como já existem hoje em dia. Finalmente, gostaria só de enfatizar que hoje nós temos muitos acervos e coleções de espécies, algumas já muito bem documentados e outras ainda precisando de pesquisas e estudos, mas nós temos que considerar duas estratégias: uma que é a Conservação das nossas espécies nativas no ambiente natural e a melhoria do processo de exploração dessas espécies no ambiente natural para que seja viável ao produtor fazer essa coleta na floresta nativa. Com a Conservação, o desafio é a melhoria dos processos de produção dessas espécies na floresta nativa, e isso é importante para as populações tradicionais. E a outra estratégia é o plantio das espécies economicamente importantes, para que seja viabilizado um negócio florestal robusto com essas espécies. São espécies já consagradas e que podem viabilizar excelentes negócios com escalas de produção, com eficiência no sistema de produção e no sistema de colheita e pós-colheita, até o ponto da entrega desse produto ao seu consumidor final. E assim vamos consolidar o aproveitamento sustentável da diversidade biológica, ou seja, estaremos adentrando no terreno promissor da Bioeconomia.

(*) Roberval Monteiro Bezerra de Lima – Pós-doutorado (2017) pela Techinische Universität Bergakademie Freiberg, Alemanha, do programa Novas Parcerias Integradas CAPES/DAAD/GIZ, doutorado (2004) em Engenharia Florestal pela Universidade Federal do Paraná. Tem experiência nas áreas de docência em Estatística,Recursos Florestais e Engenharia Florestal, com ênfase em Silvicultura, atuando principalmente nos seguintes temas: Amazônia, plantações florestais, recuperação de áreas degradadas, florestas energéticas, métodos quantitativos e plantios florestais. É líder do grupo de pesquisa do CNPQ: manejo e silvicultura de florestas cultivadas, agrofloresta e sistemas agrosilvopastoris na Amazônia. 

FONTE: Brasil Amazônia Agora

Leites em pó e condensado podem ser produzidos a partir da castanha-do-brasil

Pesquisadores do Amazonas desenvolveram uma versão, de origem vegetal, à base de amêndoas frescas de castanha-do-brasil, de leites em pó e condensado, com propriedades funcionais, nutricionais e antioxidantes. Os produtos são uma alternativa, regional, de substituição de fonte proteica, especialmente, aos consumidores com intolerância às proteínas do leite de vaca.

Com isso, o estudo científico fomentado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) forneceu para a indústria alimentícia, dois novos produtos, que devem atender tanto ao mercado de consumidores adeptos ao estilo de vida vegano (prática de abster-se do consumo de produtos de origem animal) quanto ao de consumidores com intolerância à lactose.

As amêndoas da castanha-do-brasil são consideradas excelentes fontes de proteína vegetal e, elaborar produtos a partir dessa matéria-prima deve diversificar as opções existentes no mercado uma vez que a soja, outro produto de origem vegetal, já possui aplicações no preparo de leites em pó e condensado.

De acordo com a coordenadora do projeto, Ariane Mendonça Kluczkovski, além das amêndoas das castanheiras serem fontes de ingredientes culinários para o preparo de novos alimentos, elas poderão agregar valor às cadeias produtivas extrativistas de castanha-do-brasil no estado do Amazonas.

“A castanheira e suas demais partes possuem várias aplicações. A amêndoa é o principal produto, sendo um alimento rico em proteínas, minerais, lipídeos, vitaminas e ação antioxidante. Pode ser consumida in natura ou usada para extração de óleo”, destacou Ariane.

O projeto “Aproveitamento do potencial proteico da castanha-do-brasil na obtenção de novos produtos”, levou quatro anos para ser concluído. A pesquisa foi desenvolvida na empresa Nutricon Consultoria e Análises de Alimentos e no laboratório do Núcleo de Composição e Toxicologia de Alimentos (Necta) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e, amparado pelo Programa de Subvenção Econômica à Inovação Tecnológica em Micro e Empresas de Pequeno Porte no Estado do Amazonas (Tecnova/AM), edital Nº 025/2013.

O estudo resultou, ainda, na formação de recursos humanos com a elaboração de quatro trabalhos acadêmicos, sendo duas dissertações de mestrado e duas bolsas de iniciação científica e, além disso, a publicação de artigo científico na revista European Academic Research.

Aceitação

Os testes sensoriais para avaliar os atributos como, o aroma, o sabor, a doçura, a cor, a textura e a aparência geral, do leite condensado produzido, foi realizado por 120 provadores não-treinados residentes na cidade de Manaus. O leite condensado obteve 89% de aceitação em todos os atributos sensoriais avaliados e, a intenção de compra foi de aproximadamente 68%.

Valor nutritivo

Os pesquisadores observaram diferenças quanto à composição centesimal quando comparadas as fórmulas preparadas com castanha-do-brasil a do condensado comercial de soja.

A castanha-do-brasil é mais gordurosa que a soja, mas já era esperado que os valores lipídicos dos produtos formulados com castanha fossem maiores, uma vez que a amêndoa de castanha-do-brasil possui maior teor de lipídios que a soja. No entanto, o produto de soja apresentou maior teor de carboidratos (açúcares).

O produto condensado produzido a partir da castanha-do-brasil apresentou também valores de fibras brutas, maior teor proteico e menores quantidades de açúcares em sua composição, quando comparadas ao condensado de soja comercial.

Quanto ao leite em pó, à base de castanha, apresentou teores de selênio, lipídios e proteínas, pode ser usado como uma excelente matéria-prima e como um ingrediente alternativo para a indústria alimentar funcional, além de poder ser utilizado para o desenvolvimento de produtos alimentares específicos.

Tecnova/AM

Programa visa apoiar projetos de inovação, buscando o desenvolvimento de produtos (bens ou serviços) e/ou processos inovadores que sejam novos ou significativamente aprimorados pelo mercado, promovendo  aumento das atividades de inovação e o incremento da competitividade das empresas.

Fonte: FAPEAM

9º Encontro Brasileiro de Nozes e Castanhas apresenta dados da evolução dessas culturas e a prioridade pós Covid-19

A Associação Brasileira de Nozes, Castanhas e Frutas Secas (ABNC) realiza no dia 21/09 (segunda-feira), o 9º Encontro de Nozes e Castanhas. No evento, serão apresentados dados sobre a evolução das nozes e castanhas no Brasil, perspectivas e negociações internacionais para essas culturas, além dos benefícios das nozes como fonte de saúde e fortalecimento da imunidade, especialmente no contexto da pandemia provocada pelo Covid-19.

Durante o encontro, Richard Waycott, CEO e presidente da Almond Board of California, falará sobre “Inovação em produtos e mercados”. Já Jordi Salas-Salvadó, professor emérito de Nutrição da Espanha, coordenador de pesquisas mundiais no setor de nozes, abordará “Nozes como fonte de saúde – Pesquisa no mundo”. E, por fim, Marcos Jank, professor do INSPER São Paulo, traz para o debate “Impulsionando o mercado asiático”

O evento será dirigido por José Eduardo Mendes Camargo, presidente da ABNC e diretor do Departamento de Agronegócios da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (ABNC). A Associação foi lançada, oficialmente, no 7º encontro realizado na Fiesp. Seu objetivo é criar ações para promover esse mercado internamente e fora do País.

No Brasil, a Castanha do Pará é produzida na região Norte do país, Castanha de Caju, no Nordeste, Castanha de Baru, no Centro-Oeste, noz Pecã, no Sul, e noz Macadâmia, no Sudeste. Enquanto o Brasil ainda está em processo de desenvolvimento no cultivo dessa cultura, a China e os EUA experimentaram, entre 2016 e 2017, o maior crescimento da produção de nozes em relação à média dos últimos dez anos; 96% e 41%, respectivamente, segundos dados do International Nut and Died Fruit Council (INC).

Nos últimos 10 anos, o consumo das Nozes e Castanhas deixou de ser um produto apenas Natalino, pois já faz parte da dieta do dia-a-dia de muitas pessoas pela praticidade, qualidade nutritiva e sabor. Já as processadoras de nozes, por sua vez, criaram novos usos para o produto, como leite, azeite, além de ingredientes em barras, sorvetes, pães e chocolates.

Para participar do evento é só se inscrever no link http://lnkd.in/d-e-3UU

Serviço:

9º Encontro Brasileiro de Nozes e Castanhas – Alimentos pela vida! A prioridade pós Covid-19

Data: 21/09

Horário: 10h às 12h

RELEASE PUBLICADA PELOS VEÍCULOS: Capital Econômico, Revista da Fruta, EAE Maq e Segs

[FOLHA-SP] Crédito rural aumenta na pandemia, mas pequeno tem dificuldade para receber

A crise econômica agravada pela pandemia da Covid-19 levou muitos agricultores a sair em busca de renegociação de financiamentos ou novos recursos para recompor o caixa.

Em julho, primeiro mês da safra 2020/2021, as contratações de crédito rural aumentaram 50% na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram R$ 24,15 bilhões disponibilizados, segundo dados dos ministérios da Agricultura e da Economia.

A modalidade que mais cresceu no período foi a de investimento, com alta de 110%. Mas foi o custeio, que financia as despesas do ciclo de produção, que ficou com o maior montante: R$ 15 bilhões.

“Essa alta reflete a pandemia. Muitos aguardavam a liberação de recursos da nova safra para recompor seu fluxo de caixa”, afirma Fernanda Schwantes, assessora técnica de política agrícola da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

Segundo Schwantes, as restrições impostas pela Covid-19, como o fechamento dos canais de distribuição, impactaram especialmente os setores dependentes do mercado interno, que buscaram alongamento de prazos nos financiamentos.

O Plano Safra, do governo federal, prevê R$ 236,3 bilhões em crédito rural para o ciclo que começa neste segundo semestre, uma alta de 6,1% em relação ao anterior.

Os bancos públicos e privados seguem como os principais agentes desse segmento, com 54% e 26% de participação no total liberado, respectivamente. Na última safra, contudo, as cooperativas financeiras foram as únicas a ampliar sua participação, de 17% para 18% do dinheiro emprestado.

Operando tanto com recursos próprios quanto de fontes federais, como o BNDES, as cooperativas têm sido alternativa para os produtores que não conseguem empréstimos nas instituições tradicionais.

O agrônomo Pedro Furtado, 36, recorreu a uma cooperativa para levantar R$ 80 mil para o custeio da plantação de maracujá e pitaia que mantém com os irmãos, Vitor, 38, e Helena, 42, em São João Nepomuceno (MG).

A família começou o pomar com recursos próprios, em meio hectare, mas para ampliar a área para 20 hectares, foi atrás da linha federal Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural) em um banco público, no início do ano. “Disseram que não tínhamos um histórico de crédito suficiente”, lembra Pedro.

No Sicoob (Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil), eles conseguiram o dinheiro, mas terão que pagar uma taxa de juros de 8% ao ano —no Pronamp, é equivalente a 5% ao ano na safra atual.

O diretor executivo comercial e de canais do Sicoob, Francisco Reposse Júnior, comenta que houve aumento de 55% nos desembolsos da instituição em julho, na comparação com o mesmo mês do ano passado. “Liberamos R$ 1 bilhão em crédito. A meta é fechar a safra em R$ 16 bilhões.”

No Sicredi (Sistema de Crédito Cooperativo), o plano é disponibilizar R$ 22,9 bilhões no ciclo de 2020/2021, alta de 12% na comparação com o período anterior.

Os bancos tradicionais também planejam destinar mais dinheiro ao agronegócio. A carteira de crédito ampliada do Santander (que considera recursos obrigatórios e livres, BNDES, Funcafé e os títulos CPR, CDCA e CRA) teve aumento de 20,4% em junho, na comparação com o mesmo mês de 2019.

O Banco do Brasil contratou R$ 46,4 bilhões entre janeiro e julho. O volume representa crescimento de 21,5% em relação aos R$ 38,2 bilhões do mesmo período de 2019.

A oferta de crédito rural ganhou peso neste ano também pela Lei do Agro, sancionada em abril, que estabeleceu novas formas de garantias. “Isso aumentou o interesse dos bancos privados”, comenta Rodrigo Damásio, da Damásio Consultoria e Recuperação Judicial, que trabalha com agronegócio.

A taxa de juros, contudo, ainda é um empecilho. O presidente da ABNC (Associação Brasileira de Nozes e Castanhas), José Eduardo Camargo, diz que o juro real ainda está muito alto para o produtor agrícola, considerando que a taxa Selic atingiu o seu menor patamar histórico, em 2% ao ano.

A taxa do crédito média para custeio, por exemplo, está em 4,33% anuais, segundo cálculo da CNA. Na safra passada, os juros eram de 6,01% ao ano.

A burocracia é outro empecilho no crédito ao pequeno produtor, afirma Douglas de Castro, do escritório Cerqueira Leite Advogados, que atua no agronegócio. Muitas vezes, diz ele, a demora nas liberações prejudica o proprietário rural, que tem prazos para o início do plantio ou da colheita.

Além disso, segundo Castro, há muitas linhas de crédito disponibilizadas que não chegam até o pequeno e médio produtor, seja por falta de acesso aos bancos ou por desconhecimento dos recursos existentes.

Wagner Ricardo Turcato, que produz soja e milho em Guaíra, interior de São Paulo, diz que não teve dificuldades em contratar R$ 1,2 milhão a uma taxa de 6% ao ano para custeio de sua plantação de 600 hectares. O financiamento foi feito em março passado, no Banco do Brasil, com recursos do BNDES.

Porém, quando questionou a instituição sobre crédito para a aquisição de terras, ouviu que não existia essa opção. “O sistema ainda é muito burocrático e difícil de conseguir recursos”, diz Turcato.

Fonte: Folha de São Paulo