A castanha-do-Brasil sob o microscópio: o que a ciência revela sobre sua composição química

Imagem gerada por IA

Pesquisadores têm investigado de forma mais detalhada como o selênio, um mineral essencial, está presente e se liga às proteínas na castanha-do-Brasil (Bertholletia excelsa), o que ajuda a entender não apenas sua quantidade, mas também sua forma química e potencial biodisponibilidade no organismo. Um estudo clássico publicado no Journal of Agricultural and Food Chemistry analisou a distribuição de selênio nas frações protéicas da castanha e encontrou que esse mineral estava presente em níveis elevados, com cerca de 126 partes por milhão (ppm) na amostra estudada, o que confirma a reputação nutricional desse alimento como uma das fontes dietéticas mais ricas de selênio conhecida na literatura científica (CHUNHIENG et al., 2004; PubMed).

Os pesquisadores utilizaram técnicas avançadas de análise química, como cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC) acoplada à espectrometria de massa (MS), para identificar que o selênio estava ligado covalentemente a aminoácidos, formando principalmente selenometionina e selenocistina — compostos orgânicos de selênio que são altamente biodisponíveis e, biologicamente, utilizados pelo organismo para sintetizar enzimas antioxidantes (CHUNHIENG et al., 2004; PubMed). A forma orgânica desses compostos é importante porque a selenometionina é absorvida e incorporada de forma eficiente nos processos metabólicos humanos, diferentemente de algumas formas inorgânicas do mineral.

Estudos mais recentes sobre a composição da castanha-do-Brasil também reforçam essa noção, mostrando que quantidades de selênio em produtos derivados, como bebidas à base de castanha ou subprodutos do processamento, variam conforme o tipo de processamento e solubilidade das proteínas, mas em geral permanecem dentro de uma faixa relevante para suprir de forma eficiente as necessidades diárias desse micronutriente (OLIVEIRA et al., 2023; MDPI). Essa variabilidade observada entre produtos e métodos de processamento evidencia que a origem, o manejo pós-colheita e as características bioquímicas da castanha influenciam a quantidade total de selênio disponível e sua forma química, o que impacta a forma como o organismo humano o utiliza.

A pesquisa também tem implicações para a nutrição e saúde pública, pois o selênio participa de funções fisiológicas importantes, incluindo a atuação como cofator de enzimas antioxidantes que defendem o organismo contra estresse oxidativo. Alguns ensaios clínicos têm mostrado que o consumo mesmo de uma unidade de castanha-do-Brasil por dia pode aumentar biomarcadores antioxidantes como a glutationa peroxidase em humanos, o que sugere que o selênio presente na castanha tem impacto funcional no organismo além de apenas estar presente em quantidades elevadas (SALES et al., 2014; PubMed).

Esses estudos ampliam o entendimento tradicional da castanha-do-Brasil, que até então era mais conhecida pelo seu conteúdo bruto de selênio ou valor nutricional geral, oferecendo evidências químicas e metabólicas que ajudam a explicar por que esse alimento pode desempenhar um papel relevante na dieta e na prevenção de deficiências minerais.

Referências

CHUNHIENG, T. et al. Study of selenium distribution in the protein fractions of the Brazil nut, Bertholletia excelsa. Journal of Agricultural and Food Chemistry, v. 52, n. 13, p. 4318-4322, 2004. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15212486/. Acesso em: jan. 2026. (PubMed)

OLIVEIRA, F. S. et al. Composition of Brazil Nut (Bertholletia excelsa HBK), its beverage and by-products: selenium and other minerals. Foods (MDPI), 2023. Disponível em: https://www.mdpi.com/2304-8158/10/12/3007. Acesso em: jan. 2026. (MDPI)

SALES, F. et al. Brazil nut (Bertholletia excelsa) intake modulates oxidative stress and inflammation biomarkers in clinical settings. Journal of Nutrition and Metabolism, 2014. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24504745/. Acesso em: jan. 2026. (PubMed)

Translate »